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Come Into My Heart

Come Into My Heart

Amsterdão pt.1

26.02.20 | *

De todas as cidades do mundo que me poderia imaginar a visitar, Amsterdão - seguramente - não era uma delas.

A capital da Holanda não figurava em nenhuma das listas de destinos a visitar, simplesmente porque nunca me dei ao trabalho de pesquisar sobre ela. Erradamente, associava esta cidade ao seu tão famoso red light district. Só.

Não me querendo desculpar por esta ignorância, acho que se deveu ao facto de que todas as viagens a este destino que me relatavam envolviam a visita a esta zona tão boémia, museu de cerveja e pouco mais.

Mal sabia eu que Amsterdão é tanto mais...

O trabalho levou-me a Amsterdão, pela primeira vez, em 2015. Escusado será dizer que me apaixonei. Fui a Amsterdão em casal, sozinha, com amigas/colegas e em família: nunca saí de lá com as expectativas defraudadas. 

Sem conhecer muito sobre a cidade, a primeira viagem não foi planeada com objetivos muito turísticos. Tendo de estar presente numa formação numa segunda-feira, parti para Amsterdão na sexta-feira anterior com o objetivo de conhecer e disfrutar de uma nova cidade.

Chegados ao Aeroporto de Schipol, consideramos que a rede de transportes era bastante agradável e user-friendly, pelo menos para a zona onde ficamos alojados. Rapidamente chegamos a Amsterdam Centraal que, como o nome indica, é a estação localizada no centro da cidade - ótimo para qualquer turista.

1676AA11-1312-40A4-A5A0-B14641750994.jpegA verdade é que o alojamento em Amsterdão é algo que requer bastante planeamento, isto se a vocês não agrada a ideia de ter de vender um rim para ficar numa localização central, com comodidades longe de serem consideradas ótimas (a hotelaria portuguesa dá 10-0 a tantos outros países).

Uma vez que ia em trabalho optei por ficar próxima da sede da empresa (Sloterdijk). Imaginava que essa localização me obrigaria a gastar bastante tempo em viagens para o centro, mas - mais uma vez - não podia estar mais longe da realidade. Certamente associam, como eu, esta cidade ao sem número de bicicletas a circular. Efetivamente é um meio de transporte bastante utilizado, não só pelos locais, como também pelos turistas. Para além da bicicleta, há ainda uma rede muito boa de metro, autocarro e comboio - não referindo as companhias de transporte como taxis, uber, etc...

Muitos dos hotéis têm à disposição bicicletas para os seus hóspedes, bem como mapas da cidade - o que facilita bastante a exploração desta pequena maravilha que é Amsterdão. Se decidirem fazer esta viagem, aconselho-vos a pesquisar sobre estas comodidades no hotel: faz a diferença, principalmente se não houver custo associado para aluguer das bicicletas.

Vou partilhar convosco o que mais gostei de conhecer nesta cidade tão especial. Espero que a minha experiência vos motive a visitar Amsterdão! 

Bloemenmarkt

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Bloemenmarkt existe desde 1862 e está localizado nas margens do canal Singel. Neste mercado podem encontrar-se não só flores e bolbos - sendo um mercado de flores - como também lembranças da cidade. Paragem obrigatória, bem como obrigatória é a compra de bolbos de tulipas - been there, done that. 

Foi aquando da visita a este mercado que encontrei a minha loja preferida, até hoje:

Christmas Palace

Devo dizer-vos que nunca havia comprado decorações natalícias tão fora de época como em 2015: em Junho, perdi-me por completo nesta loja. Aviso-vos portanto que se forem, como eu, fãs da quadra natalícia... não passem nem perto dessa loja!

É também nas margens dos canais que podem encontrar típicas lojas de queijo que permitem provas gratuitas. Acreditem em mim quando vos digo que a primeira vez é espectacular, a segunda continua a ser engraçada... mas a partir daí é só enjoativo. 

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Museumplein

Em Português "praça dos museus".

Visitei Amsterdão em todas as estações do ano, pelo que posso dizer por experiência própria que esta cidade tem uma magia especial em cada uma delas.

Lembro que a primeira vez que visitei a cidade, em Junho, passei boa parte de uma tarde deitada nesta praça, a disfrutar do sol e do burburinho que me rodeava.

A rodear esta praça encontramos a Concertgebouw (sala de concertos real) e museus como Rijksmuseum, Van Gogh e Stedelijk.

Era aqui, frente ao Rijksmuseum, que estavam as famosas letras I amsterdam que foram retiradas no final de 2018. Tanto quanto sei, neste momento para além de um letreiro que vai sendo colocado pela cidade de acordo com diferentes eventos, podem ainda encontrar letreiros semelhantes no Sloterpark e logo à chegada a Amsterdão, no aeroporto Schipol.

Cruzeiro pelos Canais  

Confesso que nunca me tinha passado pela cabeça fazer um cruzeiro pelos canais de Amsterdão. Muitas vezes associo este tipo de programas a uma perda de tempo, uma vez que estamos limitados ao que escolhem para nós e não temos a liberdade de aproveitar o tempo e calcorrear a cidade. Falando de canais, calcorrear estava fora de questão e tinham-nos dito que era uma boa experiência. Confiamos e numa viagem a Amsterdão, arriscamos.

Os preços são variados, pelo que a partir de cerca de 20€ já podem fazer uma viagem destas. 

O mais prazeroso nesta experiência é, sem dúvida, a diferente perspectiva que nos dá sobre os edifícios à margem dos canais. Os guias mostram paixão pela cidade e contam-nos as histórias e estórias desta cidade tão especial. 

Anne Frank

Na primeira viagem que fiz a Amsterdão, sem procurar demos com a casa-museu Anne Frank: a fila interminável denunciava algo turístico ali em redor e foi então que percebi que estava mesmo lá, onde viveu tantas vidas aquela menina que não contou mais que 15 anos.

 

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Por momentos, o tempo parou e recuei dez anos e estava no meu quarto a ler o diário daquela menina.

Dizem que ao visitar o museu podemos sentir um pouco do ambiente que se vivia, àquela época.

A minha opinião é que, apesar da qualidade do museu e da preservação do dito ambiente, em momento algum conseguimos sentir uma mínima amostra do que se passava então.

É impossível, na nossa realidade atual, conseguir imaginar o que passou aquela e tantas outras famílias. Não querendo perder-me neste tema - ontem vi o filme Jojo Rabbit (o qual aconselho) - mas a frase que me vem sempre à ideia é "como é possível existirem pessoas tão más?".

Shopping Streets

Ao explorar a cidade encontramos bastantes ruas de comércio, com lojas bem conhecidas. Partindo da Dam Square, onde vêm o lindíssimo Palácio Real de Amsterdão, poderão encontrar inúmeras ruas para qualquer lado que decidam ir.

Nessa praça que vos falo, podem ainda encontrar o Madame Tussauds de Amsterdão, bem como o National Monument que homenageia as vidas perdidas na 2ª Guerra Mundial.

(continua)

 

 

 

Urticária Pessoal #1

22.02.20 | *

Odeio ver postes e cabos.

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Está dito.

Nos últimos anos tenho vindo a fazer um exercício de aceitação de algumas coisas que me irritam, enervam e desconcertam. 

Esta é uma delas.

Cabe-me contextualizar que sou uma aficcionada pela fotografia, como que uma católica não praticante nessa arte de capturar imagens (vamos guardar este tema para outro texto). A partir do momento em que tive a minha própria máquina fotográfica, fui-me apercebendo de coisas que até então não tinham qualquer importância na minha vida: postes e cabos.

Este tema gera muitas "discussões" cá por casa. Claro que lhes reconheço a utilidade e, mais que tudo, a razão pela qual não são substituídos por outra qualquer solução. No entanto, odeio vê-los. 

Odeio fazer viagens por este nosso Portugal e ver paisagens poluídas por postes plantados no meio de verdes terrenos, qual árvore solitária; postes que aterram em rotundas, completamente descontextualizados do espaço envolvente. Torres metálicas lado a lado com habitações, cabos e mais cabos a atravessar o azul do céu. 

Tudo isto era motivo de chacota, censurável até por mim mesma que só recentemente verbalizei pela primeira vez este sentimento, até que pesquisei um pouco sobre isto e a verdade é que não sou a única. Certo é que há 1001 razões pelas quais a comunidade se insurge contra estas instalações, sejam associadas ao transporte de eletricidade ou telecomunicações. 

Uma das opções mais faladas é a de enterrar os cabos. Óbvio. Tão óbvio como a resposta em uníssono das grandes empresas nacionais associadas a este negócio: não, é caro

O certo é que, como em tudo na vida, enquanto não compensar em âmbito económico, nenhuma alteração irá ocorrer e algo me diz que vou viver com estes postes e cabos no meu horizonte durante muito tempo.

Notícias como acidentes de helicóptero foram amplamente difundidas, associadas a estas instalações mas - sendo um pouco advogada do diabo (REN, somos amigas sim?) - não podemos ignorar todas as outras condicionantes que podem ter contribuído para essas desgraças. E quem fala em acidentes de helicóptero, pode também referir eletrocussões. E pode ainda abeirar-se do tema da preservação da biodiversidade.

A conclusão a que chego é a de que, no final de contas, esta minha urticária pessoal é mais comunitária do que eu podia imaginar. 

E desse lado? Alguém com "ódios de estimação" que têm vergonha de partilhar? Aqui ninguém nos ouve... digam-me lá ;)

 

Deixo para um próximo texto a minha Urticária Pessoal #2  que é... Cebolinho!

Mãe

21.02.20 | *

Serei a única Mãe que acha que, por mais tempo que passe neste nosso papel, serei sempre novata nisto?

Desde que me tornei Mãe, tenho vindo a recordar todas as histórias que a minhã Mãe me contava. E agora vejo-a, também, como Filha que ela é.

É incrível como a nossa percepção do mundo que nos rodeia muda, de acordo com as nossas vivências. Enquanto cresci, olhei sempre para a minha Mãe como uma fortaleza inabalável. Capaz de enfrentar todo e qualquer desafio, com uma confiança que eu julgava única. Mal sabia eu que esta visão que eu tinha dela, lhe ia colocando a fasquia mais e mais elevada, dia após dia. 

Nunca lhe conheci um momento de desistência, aprendi nela a força de acreditar que a vida se resolve. Encontrava nela todos os placebos para os meus medos e inseguranças, que na realidade nada mais eram que um pedaço de papel ou um fio em ouro que levava comigo, qual amuleto. E o medo desaparecia. A segurança reinava. Porque levava a minha mãe comigo. 

Não há muitos dias atrás, a minha filha (que tem 3 anos) disse-me que por vezes tem saudades minhas e que gostava de ter algo para se lembrar de mim, sempre que tivesse saudades. Consegui imaginar-me, pequenina, a dizer aquilo à minha mãe. Imaginei-me, mesmo sabendo que nunca lho disse. 

A troca de papéis, aos 33 anos, assoberbou-me. 

De repente, ao fim de 3 anos neste papel que ocupo, uma epifania. A minha mãe, aquela fortaleza à qual recorro sempre (nem que seja em pensamento), nunca deixou de ser uma filha. Construiu aquela fortaleza com pedras e pedrinhas ao longo de todo um caminho que nunca foi fácil. Aquelas pedras e pedrinhas, nada mais eram que as suas inseguranças e medos. Fortificou-se para que - no papel de Mãe - aquela Filha não parecesse tão novata. 

Enquanto filhos, esquecemo-nos de entender a fragilidade dos nossos pais. Enquanto nossos pais, enquanto filhos que sempre serão. E quando perdem os seus pais, aquelas fortalezas têm de se manter erguidas para nós. Por nós.

Recuo 17 anos e vejo o ponto de viragem da minha Mãe, quando a sua Mãe (também um bocadinho minha) lhe faltou. 

Verbalizar que passaram 17 anos é como dizer uma mentira a mim mesma: como se tivesse sido hoje, como se a incredulidade ainda morasse no meu peito e a qualquer momento pudesse acordar.

Este ano é o ano do empate. São 17 anos sem a Mãe da minha Mãe, tantos quantos vivi com a sua presença à distância de um abraço, do som de uma gargalhada ou uma das chamadas diárias a saber se estava tudo bem. Só posso imaginar, bem de longe, a incredulidade que estou certa que mora no coração da minha Mãe. 

Quando a minha filha troca os "ontem" por "amanhã" e me diz que quando eu era pequenina tomava conta de mim, imagino que é isso mesmo que eu gostava de fazer à minha Mãe: dar-lhe o colo que sei que lhe falta. 

Agora sou Mãe e vejo a minha Mãe com outros olhos. Quando relembro, de forma cada vez mais vívida, as histórias da escola, das papoilas e do côco ralado... vejo-a como uma filha. Como a minha filha. E quero dar-lhe colo. Porque o Amor é isto e a vida tem uma forma peculiar de nos relembrar que no nosso coração há sempre espaço para o Amor, saibamos ou não demonstrá-lo. 

Ás Marias da minha vida: as que eu posso cuidar e a que cuida de nós, de blusa florida e saia travada, com um cabelo branco imaculado preso num novelo de amor.

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A Internet

18.02.20 | *

Este post terá mais de ressabiado do que de educativo.

Começo por dizer que sou dentista.

Sendo mãe, faço parte de um sem número de grupos no Facebook relacionados com maternidade, amamentação, baby led weaning, montessori, rear-facing...

Hoje leio um post acerca da (ausência de) higiene oral em creches.  Até aí, nenhuma novidade. A urticária surge quando leio os comentários e vejo totais baboseiras, para não classificar de uma forma ainda menos positiva. E isto leva-me ao título deste meu texto: A Internet. 

Um dos grandes perigos da Internet é que, por trás de um ecrã, cada um escreve o que quer sem olhar às consequências. Muitas vezes a informação que passam como factual, não passa de suposições ou mitos e, esquece-se muito facilmente, que quem lê pode não ter o discernimento de duvidar e pesquisar. 

Neste caso concreto que vos relato, li afirmações que apontam para a não promoção da saúde oral para evitar doenças transmissíveis por contacto com sangue, lavar os dentes muitas vezes é prejudicial porque desgasta o esmalte. São estas meias verdades, descontextualizadas, que me assustam. Tanto neste assunto como em tantos outros. 

Qualquer pessoa que entre no comboio a meio da viagem, descontextualizada, leva estes pseudo-factos como assumidos e depois lá vem uma nova história do "quem conta um conto, acrescenta um ponto". 

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Acho que é perceptível que a minha primeira afirmação é mais que verdadeira: escrevi isto com os níveis de ressabiamento a apitar no máximo. Principalmente, porque isto nunca há-de mudar e porque quando tento explicar ou mostrar a minha perspectiva, parto sempre com uma atitude derrotista. Isto nunca há-de mudar. São mentalidades que já estão estabelecidas e, quase na generalidade, fechadas a admitir o erro. 

Quando se lê nas diretivas da saúde oral que se deve escovar os dentes pelo menos duas vezes por dia, sou a única a entender que duas vezes será o mínimo e não o máximo?

Não sou extremista, admito que o importante é que haja a educação para a saúde oral em casa e desde que haja esse hábito pelo menos duas vezes por dia em casa com os cuidadores, já não me parece mal de todo. Mas aqueles comentários matam-me. Os factos que não são mais que opiniões e que lidos por outras pessoas podem ser tidos como factos. O perigo.

Vá, desliguemos o ressabiamento. 

Era só isto.

Vamos lá lavar os dentinhos.

*

 

 

Racismo

17.02.20 | *

Começo este texto sem saber muito bem como o vou terminar, mas dando graças por saber que poucas pessoas me seguem e - sendo um assunto mediático - acredito que não vou ferir susceptibilidades.

Nascida na década de 80, cresci a 30km da cidade do Porto. Ali, a única diferença que notava nas pessoas era que uns eram mais altos, outros mais magros, uns com cabelo escuro, outros com olhos claros. Havia meninos que tinham melhores resultados a matemática, outros a língua portuguesa. Outros preferiam educação física e havia ainda os que estavam só a cumprir a obrigatoriedade do ensino. Todos éramos diferentes, todos vivíamos em comunidade. 

Onde vivia, havia pessoas com cor de pele diferente da minha: mais clara, mais escura. Acho até que havia pessoas com a mesma tonalidade de pele que a minha e nem por isso éramos mais ou menos amigos. 

Ao crescer, na escola, havia meninos que faziam muitas asneiras e levavam recados para os pais. Havia meninos que me chamavam sabichona, mesmo eu não tendo escolhido ir para o 5º ano com 8 anos. Eles tinham pele igual à minha. Eram maus. As crianças sabem como ser más. 

Alguns desses meninos iam com os pais ver jogos de futebol ao fim de semana. Será que era por ouvirem adultos mal-formados a serem maus para outras pessoas, que se julgavam no direito de ser maus para com os outros? 

Hoje, enquanto mãe, aterroriza-me que a minha filha possa vir a conviver com meninos, adultos, pessoas com má índole e falta de noção de que todos somos diferentes. 

Hoje, enquanto adulta, o ensinamento que quero dar à minha filha é de que todos somos diferentes e há pessoas boas e menos boas, transversalmente à cor da sua pele. Nunca me fez tanto sentido a frase "todos diferentes, todos iguais" como agora, nesta aventura da maternidade. 

Que sejamos todos conscientes da diferença e que a aceitação faça parte da nossa cultura; que a cor da pele não seja mais que uma característica, como o é - na realidade. Que respeitemos a origem de todo e cada um que nos rodeia.

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*

Tempo

15.02.20 | *

E8ECF876-B180-47BE-8AFA-B7B89BD81B8A.jpegNunca antes havia sentido o peso do passar do tempo, como nos últimos meses: sinto que o tempo passa e não crio nada memorável de registo.

 

Sempre primei pela memória e sinto que a tenho desperdiçado.

 

Se tivesse de explicar esta sensação, seria como ter areia nas mãos e senti-la fugir por entre os dedos: é assim que sinto o tempo a escapar-me.

 

2019 não foi, de todo, um ano brilhante. Diversas situações me chamaram a atenção para o facto mais óbvio da vida: a morte. Talvez seja isso que me faça sentir insatisfeita com a forma como ocupo o meu tempo.

 

Quero preencher os dias, quero eliminar os momentos menos bons, sorrir mais, zangar-me menos.

 

Quero zangar-me com quem o merece, sem descarregar em quem me é mais especial. Quero sentir-me capaz.

 

O tempo foge.

 

O tempo foge-me. E no meio do tempo há ainda a distância, a que existe e a que criamos.

 

Sinto-me distante do que idealizei para mim, como se tivesse escolhido o caminho errado numa qualquer bifurcação. E o tempo foge-me e não arrisco a voltar atrás para fazer uma escolha diferente.

 

Quero viver a vida como se a qualquer momento já não tivesse essa oportunidade, mas fazê-lo sem caminho, sem objetivo ou linha condutora não será o mesmo que perder tempo?

 

E sinto-me sôfrega, nesta ânsia que tenho de aproveitar o tempo e de fazer do meu tempo um acumular de momentos memoráveis que me encham a memória daqui até ser velhinha.

 

Quero tempo para poder chegar a ser velhinha. E quero ter memória. E lembrar-me de todos os momentos memoráveis que ainda quero criar.

 

*

Procrastinação

14.02.20 | *

Hoje podia vir falar de alguma viagem, receita que me tenha saído bem ou até mesmo sobre o dia de S. Valentim. Podia falar um pouco sobre mim, sobre a minha vida pessoal ou profissional. 

Hoje podia deixar passar o dia sem escrever ou até mesmo publicar só uma qualquer música que ficasse bem por aqui, no entanto...

...hoje escolhi falar sobre outro tema que me é particularmente especial. 

PROCRASTINAR

(tão boa que sou nessa arte)

Ao longo da minha vida, fui percebendo que havia determinadas tarefas que mereciam ser deixadas para mais tarde: fossem elas tarefas práticas, conversas difíceis, decisões complicadas. Durante muito tempo, não assumi que fazia isso nem tão pouco conhecia a palavra. Talvez acreditasse que fosse normal.

Fui percebendo que, quando desconfortável com alguma coisa, optava - consciente ou inconscientemente - dar-me mais algum tempo para fazê-la. 

Procrastinei na escola, na universidade e no trabalho. Procrastinei em amizades, relações amorosas e familiares.

Procrastinei, por regra. 

As consequências foram surgindo e nenhuma delas me fez crer que procrastinar fosse positivo. Com a maturidade fui conhecendo essa minha característica e tenho vindo a tentar contorná-la, ensinar-me a não adiar apesar do conforto temporário que me possa trazer - e que é sempre muito apelativo.

Trata-se de um exercício difícil, até porque a tentação de procrastinar o abandono da procrastinação é bem grande... mas, como tudo, vai-se conseguindo. 

Percebi que o primeiro passo é, efetivamente, assumir que procrastinamos. A partir daí, entender porque o fazemos. Com essas informações, contrariar e corrigir. 

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E agora que já procrastinei o suficiente... vou só ali engomar um cesto de roupa e cozinhar o jantar :)

*

 

 

 

Assertividade e Pessoas Tóxicas

13.02.20 | *

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Deve entender-se assertividade como sendo a capacidade/confiança de dizer que não, sempre que necessário. E é importante, neste âmbito diferenciar uma pessoa assertiva de uma pessoa egoísta.

 

Entendamos que uma pessoa egoísta se centra em si próprio ignorando as necessidades do próximo, justificando-se o não de uma pessoa egoísta por uma completa obsessão pelo seu eu, pelos seus objetivos e vontades.

 

Por outro lado, uma pessoa assertiva expressa o seu não estabelecendo um meio termo entre o sim absoluto e o não gratuito, seja de forma consciente e trabalhada ou de forma inerente à sua personalidade.

 

É portanto altura de um disclaimer importante. Esta que vos escreve faz um esforço diário para atingir uma assertividade saudável. Work in progress. Shame on me.

 

É no âmbito deste exercício diário que surge este texto, como que um sistematizar de ideias que me andam a pairar pela cabeça há séculos.

 

Mais que aprender a dizer que não, é importante que saibamos identificar os nossos valores. Estabelecer quais são, para nós, os limites do correto e do incorreto e pautar o caminho para atingir todo e qualquer objetivo com obediência aos nossos próprios valores.  Creio que é este o ponto fulcral para que o nosso não seja sempre fundamentado.

 

Posto isto, vamos às pessoas tóxicas.

 

Todos nós lidamos com pessoas tóxicas. Se me pedissem para definir o que é uma pessoa tóxica numa palavra, diria opressão.

 

No meu ponto de vista, que por formação nada tem a ver com estudos de comportamento, uma pessoa tóxica não é necessariamente uma pessoa má. Daí a palavra opressão. De acordo com a minha experiência com pessoas tóxicas, cada vez mais acredito que o mal feito por uma pessoa que nos censura/oprime/limita é bem mais danoso que qualquer outro mal que possa imaginar. Lembro-me de ler por aí que, na sua maioria, pessoas tóxicas são pessoas sem luz que têm necessidade de apagar a luz dos outros.

 

Não diria melhor.

 

Assertividade e Pessoas Tóxicas

 

A experiência tem vindo a demonstrar-me que para proteger-me das pessoas tóxicas que, inevitavelmente, continuarei a encontrar pelo caminho - seja em ambiente profissional ou de relações pessoais - tenho de aprimorar a minha assertividade.

 

Há-que dizer que não ao descrédito que as pessoas tóxicas imprimem a toda e qualquer conquista nossa; dizer que não quando - manipuladoras - descredibilizam qualquer projeto ou ambição. Acima de tudo, há-que dizer que não quando um sim seria somente a resposta mais fácil.

Madrid

12.02.20 | *

Um dia, há muitos anos atrás, perguntaram-me em que cidade europeia gostaria de viver.

Madrid.

 

E, inadvertidamente, aconteceu: vivi no centro da Península Ibérica durante cerca de 3 anos.

Provavelmente a maior aventura que vivi até hoje e que recordo com carinho, pelos sítios que tornei meus e as pessoas que guardo comigo. No entanto, se me perguntassem hoje em que cidade europeia gostaria de viver, a resposta seria outra. Porto. SEMPRE. Porto.

Adiante...

Cheguei a Madrid com um castelhano escasso, para não dizer inexistente. Encarei todo o processo de seleção para o meu cargo como um desafio, partindo do pressuposto que não seria seleccionada. Talvez por isso tenha corrido tão bem.

Desde entrevistas por skype a entrevistas presenciais em Inglês, um pouco de Alemão e um Castelhano muito fingido, houve de tudo. Até que veio a resposta que em menos de uma semana estaria a começar aquela que foi a minha maior aventura.

E fui, sem saber muito bem o que me esperava e como reagiria ao facto de estar a 500km de casa, sozinha - literalmente - sem ninguém conhecido por perto. Para o bichinho do mato que eu era, foi sem dúvida um risco e acabou por ser uma prova superada.

Madrid que me encantava enquanto turista, surpreendeu-me: em determinados momentos pela parte negativa que faz parte desta metrópole europeia, outros existiram em que desde que saía à rua até que regressava a casa depois do trabalho, vivia maravilhada com a sorte que tinha em poder estar ali.

Vivi no Barrio de Las Letras, pertinho da Puerta del Sol e também do Parque do Retiro. Calcorreei aquelas ruas, numa tentativa de fazer com que a semana passasse mais rapidamente para voltar ao meu Porto, mas absorvi sempre os pormenores das ruas, das pessoas e do ambiente que por lá se vive. 

Hoje, ao escrever sobre Madrid, sinto saudades. Aquela palavra tão portuguesa, que mesmo vivendo em Espanha me fazia sentido durante cinco dias de todas as semanas.

Madrid foi o meu ponto de partida para inúmeras viagens. Sonhos. Objetivos.

 

 

 

 

 

Origami no pescoço ou A lenda dos 1000 Tsuru

11.02.20 | *

Entre 1595 lendas e símbolos que poderia ter escolhido, foi o Tsuru.

Na realidade não o escolhi: escolheu-me. Veio ter comigo num momento em que dúvidas e incertezas faziam parte da realidade diária, um daqueles momentos que todos já tivemos no qual questionamos a razão de tudo e o caminho a seguir é incerto. 

Foi alguém, que também já passou por um momento assim, que trouxe o tsuru à minha vida. E fez-me sentido.

Considerada a ave da longevidade, o tsuru simboliza na Ásia, não só a juventude eterna, como também a felicidade plena. 

Sendo uma ave monogâmica, é lhe atribuído também o simbolismo do amor conjugal e fidelidade. 

Conta a lenda que, quem fizer em origami 1000 tsuru focado num desejo, conseguirá ver o seu desejo realizado.

E assim, o tsuru escolheu-me. 

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