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Come Into My Heart

Come Into My Heart

Urticária Pessoal #1

22.02.20 | *

Odeio ver postes e cabos.

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Está dito.

Nos últimos anos tenho vindo a fazer um exercício de aceitação de algumas coisas que me irritam, enervam e desconcertam. 

Esta é uma delas.

Cabe-me contextualizar que sou uma aficcionada pela fotografia, como que uma católica não praticante nessa arte de capturar imagens (vamos guardar este tema para outro texto). A partir do momento em que tive a minha própria máquina fotográfica, fui-me apercebendo de coisas que até então não tinham qualquer importância na minha vida: postes e cabos.

Este tema gera muitas "discussões" cá por casa. Claro que lhes reconheço a utilidade e, mais que tudo, a razão pela qual não são substituídos por outra qualquer solução. No entanto, odeio vê-los. 

Odeio fazer viagens por este nosso Portugal e ver paisagens poluídas por postes plantados no meio de verdes terrenos, qual árvore solitária; postes que aterram em rotundas, completamente descontextualizados do espaço envolvente. Torres metálicas lado a lado com habitações, cabos e mais cabos a atravessar o azul do céu. 

Tudo isto era motivo de chacota, censurável até por mim mesma que só recentemente verbalizei pela primeira vez este sentimento, até que pesquisei um pouco sobre isto e a verdade é que não sou a única. Certo é que há 1001 razões pelas quais a comunidade se insurge contra estas instalações, sejam associadas ao transporte de eletricidade ou telecomunicações. 

Uma das opções mais faladas é a de enterrar os cabos. Óbvio. Tão óbvio como a resposta em uníssono das grandes empresas nacionais associadas a este negócio: não, é caro

O certo é que, como em tudo na vida, enquanto não compensar em âmbito económico, nenhuma alteração irá ocorrer e algo me diz que vou viver com estes postes e cabos no meu horizonte durante muito tempo.

Notícias como acidentes de helicóptero foram amplamente difundidas, associadas a estas instalações mas - sendo um pouco advogada do diabo (REN, somos amigas sim?) - não podemos ignorar todas as outras condicionantes que podem ter contribuído para essas desgraças. E quem fala em acidentes de helicóptero, pode também referir eletrocussões. E pode ainda abeirar-se do tema da preservação da biodiversidade.

A conclusão a que chego é a de que, no final de contas, esta minha urticária pessoal é mais comunitária do que eu podia imaginar. 

E desse lado? Alguém com "ódios de estimação" que têm vergonha de partilhar? Aqui ninguém nos ouve... digam-me lá ;)

 

Deixo para um próximo texto a minha Urticária Pessoal #2  que é... Cebolinho!